Pedagogia do mês de JANEIRO 2025

01 de Janeiro de 2025


Pedagogia mistagógica de JANEIRO 2025

Buscadores de Deus nos caminhos da história

O início de 2025 será marcado pelos primeiros passos do Ano Santo que terá como fonte iluminadora a luz da esperança. Na Teologia cristã, a esperança é uma virtude teologal. Com isso, a Teologia está dizendo que a esperança é uma virtude, uma graça, dom de Deus para que possamos viver a vida cristã na sobriedade em meio aos conflitos que, inevitavelmente, batem nas portas de nossas vidas. O primeiro modelo no cultivo da esperança será proposto na primeira celebração de Janeiro 2025: “Santa Mãe de Deus, Maria”.

O contexto celebrativo da Solenidade da “Mãe de Deus” convidará os celebrantes a invoca-la com o título de Nossa Senhora da Esperança. Um título que data do ano 930 e tem ligação estreita com o descobrimento do Brasil, em 1500. Não se trata de uma curiosidade, mas de uma realidade: Maria é aquela que oferece a esperança ao mundo e a toda a humanidade. A esperança é seu filho, apresentado no início do ano como Menino Jesus.

Buscadores de Deus 
As outras duas celebrações que concluem o Tempo do Natal, celebradas em Janeiro 2025, Solenidade da Epifania e Festa do Batismo do Senhor, convidam os celebrantes a se tornarem “buscadores de Deus”, caminhando ao encontro da luz divina que, silenciosamente dorme no presépio (Epifania). Podemos dizer que a espiritualidade cristã começa com uma busca que faz dos cristãos e cristãs incansáveis “buscadores de Deus”. Na Solenidade da Epifania, o modelo dos “buscadores de Deus” é apresentado na figura dos Reis Magos que se deixam conduzir pela estrela-guia.

Uma virtude necessária para ingressar no caminho e nos tornar “buscadores de Deus” é a humildade. A busca para se encontrar com Jesus Cristo pede humildade: humildade para olhar os sinais de Deus ao nosso redor, humildade corajosa para responder ao convite de se colocar a caminho, humildade para interrogar e perguntar onde se encontrava o Rei que acabara de nascer. A luz que nos conduz como “buscadores de Deus” não vem de lugares distantes, mas está perto e é encontrada por quem é capaz de perceber na pobreza e na simplicidade da vida uma estrela-guia conduzindo nossos passos até o presépio.

A nossa entrada no caminho que nos torna “buscadores de Deus” acontece no Batismo. O Batismo mergulha a vida pessoal do cristão e cristã no Espírito Santo, tornando-nos filhos e filhas de Deus. A partir do Batismo somos guiados pelo Espírito Santo de Deus para nos tornar realmente “buscadores de Deus”. Na busca por Deus, não caminhamos sozinhos e nem nos dirigimos a esmo. Existe uma luz e uma sabedoria que ilumina nossos passos: a luz e a sabedoria do Evangelho. Não se trata de uma busca isolada, mas de uma vida em comunidade, com irmãos e irmãs que também “respiram” o mesmo sopro espiritual do Espírito Santo.

Início do Tempo Comum: a Igreja, a Aliança e o serviço 
A vida cristã como vida de “buscadores de Deus” não é realizada em caminhos individuais e nem isoladamente. Como os Reis Magos, é uma busca realizada na companhia de irmãos e irmãs que pertencem ao Corpo de Cristo, a Igreja. A primeira imagem da Igreja, apresentada no início do Tempo Comum é de uma Igreja festiva, celebrante das núpcias com o esposo (cf. Ap 19,9) porque o esposo (Jo 3, 29) oferece o vinho da melhor qualidade. As Bodas de Caná (2DTC-C) profetizam a Igreja como espaço da aliança de Deus com a humanidade selado em modo de núpcias. A Igreja, como esposa de Cristo, celebra a união com seu esposo e recebe dele o vinho novo e saboroso do Evangelho.

O Evangelho, diz São Lucas na abertura do seu texto, não é uma fábula. É o resultado de uma pesquisa cuidadosa que ele realizou com pessoas que conviveram com Jesus (3DTC-C). No contexto proposto pela pedagogia mistagógica que estamos relatando, a verdade histórica de Cristo e o projeto divino, o Reino de Deus, não nos chamam para uma fé individualista, mas para uma fé vivida em comunidade, a comunidade eclesial, onde todos têm algo a oferecer.

O modo de oferecer algo, na Igreja sempre acontece em forma de serviço. O 2DTC-C e o 3DTC-C, na 2ª leitura proclamam a imagem da Igreja como totalmente ministerial (1Cor 12). O vinho novo do Evangelho é a oferta de Cristo à humanidade, e é esse vinho que devemos partilhar em comunidade através do serviço colocando os carismas em favor do bem comum (2DTC-C). A Igreja é como um corpo, onde cada membro, com seus dons, virtudes, talentos, vivem a fé e a esperança em forma de caridade, dedicando-se ao serviço fraterno (3DTC-C). A espiritualidade cristã não cresce e nem se alimenta de modo isolado, mas na convivência, no respeito à diferença e no serviço mútuo.

Concluindo 
A espiritualidade cristã, presente na pedagogia mistagógica das celebrações de Janeiro 2025, chama atenção para o fato de não ser uma experiência individual de fé, mas uma vivência comunitária que se constrói na humildade, no serviço e na busca constante pela luz de Cristo como “buscadores de Deus”.

A Igreja é chamada a ser lugar de encontro, onde os dons de cada um são colocados a serviço de todos. Não importa quão grande ou pequeno seja o nosso papel: o importante é que estamos todos a caminho, guiados pela luz de Cristo, vivendo a aliança de amor com Ele e uns com os outros. Na diversidade, somos chamados a ser um só corpo, a refletir a unidade que Cristo nos oferece e a levar o Seu amor ao mundo.

Serginho Valle 
Novembro de 2024