Semana Santa
01 de Abril de 2025
Semana Santa e Tríduo Pascal
A Semana Santa é considerada um período significativo na vida da Igreja e na vida de cada cristão e cristã. É celebrada como convite, conduzindo a Igreja e os celebrantes a participar profundamente no Mistério Pascal de Jesus Cristo. É o que propõe a pedagogia mistagógica presente nas propostas celebrativas do SAL – Serviço de Animação Litúrgica (www.liturgia.pro.br ).
Iluminados pela pedagogia mistagógica das propostas do SAL, as celebrações da Semana Santa contemplam e refletem a entrega total de Jesus em adoração ao Pai, realizando sua vontade ao extremo de doar a própria vida em serviço, para que a vida da humanidade seja plena. Contemplando, rezando e celebrando os Mistérios da Semana Santa, aprendemos a conhecer e a sempre mais tornar autêntico o verdadeiro sentido da vida cristã como Páscoa, como passagem de quem caminha na “estrada de Jesus”.
Adoração e serviço
O primeiro contato com a Semana Santa acontece no Domingo de Ramos, abrindo as celebrações com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e com a proclamação do Evangelho da Paixão de Jesus Cristo. Dois cenários e uma mensagem: o povo aclama alegremente o ingresso do Messias na cidade e o Messias, que nela ingressa como Servo Sofredor. Se o povo o queria como rei, ele não ingressa na cidade para reinar, mas para adorar o Pai realizando sua vontade até as últimas consequências colocando-se a serviço da vida humana. São duas intenções: aquela do povo que aclama e a de Jesus para servir e fazer a vontade do Pai. Este é o primeiro anúncio da Semana Santa: o acolhimento da vontade divina como gesto de adoração ao Pai e serviço em favor da vida humana.
A compreensão da segunda parte, gesto de serviço em favor da vida humana, realiza-se de modo sacramental na Instituição da Eucaristia, celebrada na Quinta-feira Santa. O serviço de Jesus à humanidade não se resume no gesto do lava-pés; este é um modo concreto e visível de como viver a vida cristã. O serviço de Jesus se manifesta sacramentalmente na Eucaristia pela doação da sua vida de modo eterno, até a consumação dos séculos, até o seu retorno. O Sacramento da Eucaristia, portanto, manifesta (epifania) o serviço divino à humanidade pela doação da sua vida presente no Pão e no Vinho: “isto é o meu corpo, é o meu sangue ENTREGUE por vós”. É sobre esta forte inspiração da vida divina entregando-se eternamente para alimentar a vida humana que se compreende como viver autenticamente a vida cristã: transformando o Mandamento Novo em lava-pés, em relacionamento fraterno pela entrega da vida.
Oblação radical da vida
O que Jesus celebrou na Última Ceia, em modo ritual e sacramental, realiza fisicamente na Sexta-feira Santa quando, de modo radical, entrega sua vida, com seu Corpo e Sangue para ser pregado e transpassado no altar da Cruz. Em meio ao sofrimento extremo, ele permanece fiel ao Pai, adorando-o através da entrega total de sua vida. Na contemplação desse quadro, aparece o paradoxo entre a fidelidade e a negação.
O paradoxo acontece contemplando a fidelidade de Jesus e a negação de Pedro. A Paixão de Jesus contrasta com a fraqueza de Pedro, que vacila diante das ameaças de uma empregada, negando ser discípulo de Jesus. A verdadeira adoração a Deus passa pela fidelidade ao projeto divino; dizendo melhor: exige fidelidade ao projeto divino em todas as condições da vida, especialmente quando somos ameaçados por causa da fé, quando é preciso enfrentar acusações e a rejeição.
Aleluia! Jesus ressuscitou!
O Sábado Santo inicia-se como tempo de silêncio, contemplação e espera pelo triunfo definitivo de Cristo sobre a morte: Ressurreição, quando a Igreja solene e alegremente canta o Aleluia Pascal. Nesse dia, especialmente na manhã, refletimos os gestos adorantes de Jesus ao longo da Paixão: seu serviço humilde do lava-pés, na Quinta-feira Santa, e a entrega radical de sua vida no altar da Cruz. A Vigília Pascal celebra tais gestos como manifestações da fidelidade de Jesus Cristo e conduz os celebrantes a viver como adoradores que transformam suas vidas em serviço ao Evangelho, fortalecidos e conduzidos pelo Espírito Santo, dom maior do Ressuscitado.
A mesma proposta acontece no Domingo da Páscoa como reforço do convite aos celebrantes para celebrar a Ressurreição de Jesus tornando-se verdadeiros adoradores em Espírito e Verdade, como é o desejo de Jesus (Jo 4,23). As experiências únicas de Maria Madalena, Pedro e do "outro discípulo" que tiveram com o Cristo ressuscitado ilustram a transformação que a Páscoa traz para os que se abram ao Mistério da Fé impelindo os celebrantes a testemunhar e a colocar-se a serviço do Reino de Deus com alegria e fidelidade.
Conclusão
A celebração da Semana Santa, em contexto adorante, ensina aos celebrantes que adorar a Deus é oferecer a vida em serviço. Seguindo o exemplo de Jesus, somos chamados a viver uma fé que une a adoração ao serviço fraterno. Cada celebração da Semana Santa propõe refletir e rezar cada momento para transformar a existência em compromisso radical de viver a vida em conformidade com o Evangelho.
Que a Páscoa de Cristo renove em cada um de nós a alegria de servir e testemunhar o amor de Deus no mundo. E que esse tempo de renovação nos inspire a ser instrumentos vivos de esperança e de bondade, acolhendo cada pessoa como irmão e irmã. Feliz Páscoa!
Serginho Valle
Janeiro 2025

