Pedagogia do mês de JUNHO 2025
01 de Junho de 2025
Amor divino, fonte da vida humana
A pedagogia mistagógica das propostas celebrativas do SAL, no mês de junho 2025, consideram três temas que destacam o amor divino como fonte da vida humana. O primeiro tema encontra-se na conclusão do Tempo Pascal (Ascensão e Pentecostes), o segundo tema considera o amor divino na vida humana (Santíssima Trindade, Corpus Christi e Sagrado Coração de Jesus) e, o terceiro tema, o discipulado que tem no amor divino a fonte da vida cristã (12DTC-C e São Pedro e São Paulo).
O primeiro tema, que conclui o Tempo Pascal com as Solenidades da Ascensão e de Pentecostes, já foi considerado na pedagogia mistagógica do Tempo Pascal. Por isso, apenas um aceno recordatório do que lá foi proposto. Em ambas as Solenidades, Ascensão e Pentecostes, a pedagogia mistagógica iluminava as celebrações com o acolhimento do Espírito Santo e o envio evangelizador para continuar a obra da construção do Reino de Deus iniciada por Jesus Cristo. Para mais detalhes, convido a ler a pedagogia mistagógica do Tempo Pascal publicada no mês de maio 2025.
O segundo tema da pedagogia mistagógica das celebrações de junho 2025 ilumina-se no amor divino derramado na vida humana pelo Espírito que nos foi dado (2L – Santíssima Trindade). O terceiro tema inspira-se no discipulado e está presente no 12DTC-C e na Solenidade de São Pedro e São Paulo.
A esperança e o amor divino
O tema da esperança está sendo proposto na Solenidade da Santíssima Trindade. A 2ª leitura é a fonte inspiradora do Ano Santo de 2025 com a frase “spes non confundit”; “a esperança não decepciona” (Rm 5,5). Por isso, uma Solenidade a ser celebrada com sentimentos de gratidão pelo dom da esperança e do amor divino que são derramados em nossos corações pelo Espírito de Deus que nos é dado (2L – Santíssima Trindade). A pedagogia mistagógica da Solenidade da Santíssima Trindade conduz os celebrantes a compreender que a virtude da esperança é a manifestação da presença do Espírito Santo em suas vidas que ilumina, fortalece e conduz a existência no caminho do bem.
Aquilo que a virtude da esperança realiza na vida cristã, graças ao amor divino (Espírito Santo) derramado em nossos corações é continuamente alimentado na Eucaristia. De onde compreendemos ser a Eucaristia a fonte da vida cristã, que é alimentada com o Pão da Palavra e com o Sacramento Eucarístico. A pedagogia mistagógica da Solenidade de Corpus Christi, na proposta celebrativa do SAL, ajuda os celebrantes a compreender que o amor divino em suas vidas ilumina o olhar para ver a realidade social com os mesmos olhos de Jesus Cristo. É um olhar que conduz à solidariedade fraterna, tornando cada celebrante um convidado a ser um daqueles que partilhou o pão com o povo, na multiplicação dos pães (E – Corpus Christi).
A dinâmica da pedagogia mistagógica das duas primeiras celebrações de junho 2025 ajuda os celebrantes a compreender que o amor divino alimenta suas vidas com a esperança e com a solidariedade fraterna. Isso faz com que, pouco a pouco, nossos corações sejam configurados ao Coração do Bom Pastor (E – Coração de Jesus). É um coração que manifesta o seu amor através do cuidado, que alimenta, protege e busca a ovelha perdida. Esse cuidado pelo outro, expressão concreta da fraternidade cristã, cuja inspiração é o próprio Coração divino, manifesta-se nas atitudes de cuidado para com quem é desprovido de qualidade de vida, assumindo a mesma atitudes de Jesus.
Este é o primeiro tema da pedagogia mistagógica do mês de junho 2025, iluminado pela esperança que se traduz em amor divino derramado em nossos corações (Santíssima Trindade), que se concretiza em partilhar o pão em modo de solidariedade fraterna (Corpus Christi) e pelo cuidado com a vida desprovida de dignidade (Coração de Jesus).
A cruz do discipulado
Os temas da pedagogia mistagógica, incluindo as solenidades do Tempo Pascal, propõe aos celebrantes os principais fundamentos da vida cristã: o acolhimento do Espírito Santo e a missão evangelizadora, a esperança e o amor que produzem a solidariedade fraterna em forma de cuidado da vida e, agora, no terceiro tema, a cruz do discipulado, que se encontram, na proposta celebrativa do SAL, na Missa do 12DTC-C e na Solenidade de São Pedro e São Paulo.
O 12DTC-C e a Solenidade de São Pedro e São Paulo propõem a mesma perícope evangélica, ao menos na primeira parte: “quem dizem os homens que eu seja”; “e quem sou eu para vocês”. A diferença, além dos evangelistas, Lucas e Mateus, encontra-se nas consequências do conhecimento de Jesus Cristo. Em Lucas, a consequência é a condição de assumir a cruz do discipulado para seguir Jesus (12DTC-C). Em Mateus, a consequência é o primado petrino (São Pedro e São Paulo).
A cruz do discipulado (12DTC-C) se manifesta em forma de renúncia, na opção radical pelo Evangelho, em escolhas concretas para caminhar no seguimento de Jesus e, consequência de tudo isso, em viver em um contínuo processo de transformação permitindo que o Evangelho converta o coração a cada dia, a ponto de configurá-lo ao Coração de Jesus. A condição para se viver a vida cristã é assumir a cruz do discipulado que se traduz em fidelidade ao projeto do Reino de Deus. Quem ingressa nesse caminho conhece a identidade de Jesus. Para isso, a necessidade da opção radical pelo Evangelho.
No Domingo seguinte ao 12DTC-C, a Liturgia propõe, nas pessoas de São Pedro e São Paulo, dois exemplos concretos de quem assumiu a cruz do discipulado e se manteve fiel ao projeto do Reino de Deus até o fim de suas vidas; pagando, inclusive, com a própria vida o preço da fidelidade da opção radical pelo Evangelho. Na pedagogia mistagógica do SAL, os celebrantes são conduzidos a compreender que São Pedro e São Paulo representam a Igreja que continua a obra e a atividade evangelizadora de Jesus Cristo. Mesmo sofrendo perseguições, mesmo sendo continuamente questionada e acusada pelo “mistério da iniquidade”, a Igreja continua na fidelidade de continuar a missão de Jesus na terra até que todos os povos se tornem discípulos do Evangelho. Celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo é reafirmar o compromisso com o projeto divino.
Conclusão
A pedagogia mistagógica do SAL para o mês de junho 2025, iluminada pelo Ano Santo de 2025, convida e conduz os celebrantes a viver uma fé mais profunda, marcada pela esperança, pelo amor da solidariedade fraterna e pelo seguimento fiel de Jesus assumindo a cruz do discipulado. São celebrações que convidam os celebrantes a dimensionar o amor fraterno como cuidado da vida e a considerar a necessidade de, como cristão e cristã, assumir a cruz do discipulado com esperança, coragem e amor.
Serginho Valle
Abril de 2025

