Pedagogia do mês de AGOSTO 2025

01 de Agosto de 2025


PEDAGOGIA MISTAGÓGICA – AGOSTO DE 2025

VOCAÇÃO E VIRTUDES

O mês de agosto, no Brasil, é dedicado a refletir sobre vocações e ministérios na Igreja e na vida pessoal. É uma caminhada que, neste ano de 2025, completa 44 anos. A reflexão vocacional iluminada pelo Evangelho compreende cada vocação a partir da ótica do serviço. O tema escolhido pela CNBB, em sintonia com o Ano Santo de 2025, apresenta a vocação como uma peregrinação. Diz o tema: “Peregrinos porque chamados. “A esperança não decepciona porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” Rm 5,5) A iluminação temática vem do Ano Santo, proposta pelo Papa Francisco, considerando a esperança com “virtude pela qual se fundamenta toda a vocação e consequentemente toda a missão” (cf. site da CNBB).

A pedagogia mistagógica presente nas propostas celebrativas do SAL – Serviço de Animação Litúrgica (www.liturgia.pro.br ) – para o mês de agosto 2025 conduz os celebrantes a considerar a importância das virtudes cristãs em suas vidas. A Liturgia celebrada nas Missas desse mês de agosto 2025 propõe algo muito prático: cultivar virtudes que moldam o coração de quem se coloca no seguimento de Jesus Cristo. De quem deseja responder ao chamado vocacional como peregrino da esperança.

Desapego: menos acúmulo, mais sentido existencial
A primeira virtude a ser considerada para que a resposta vocacional seja sincera é o desapego, inspirada na bem-aventurança dos “pobres em espírito” (Mt 5,3). O vocacionado cristão não vive para acumular bens terrenos, mas busca as coisas do alto, onde se encontra o verdadeiro tesouro da sua vida (2L do 18DTC-C). A parábola de Jesus, no 18DTC-C, é uma crítica ao consumismo representada no homem que só pensa em acumular e construir celeiros maiores, achando que isso vai garantir sua segurança (E do 18DTC-C). A virtude do desapego ajuda a compreender que a vida é frágil e imprevisível. O recado é claro: viver de acúmulo e passar a vida para acumular é pura vaidade (1L do 18DTC-C). A resposta vocacional, em todas as vocações e ministérios, consiste em colocar a confiança unicamente em Deus e se desapegar de toda vaidade.  

Vigilância: viver com o coração acordado 
Uma segunda virtude para se viver a vida cristã de modo autêntico e para se poder responder sinceramente ao chamado vocacional, é a vigilância. O cristão e a cristã vivem de coração acordado e prontos para servir. A vigilância não produz ansiedade, mas produz um estilo de vida de quem vive com atenção, de olhos abertos para perceber os sinais da presença de Deus no dia a dia (E – 19DTC-C). Vigilante, no contexto das virtudes cristãs, manifesta-se pela prontidão em acolher, servir e amar sempre que é visitado por Deus em qualquer circunstância da vida. Quem cultiva a vigilância vive sem pressa, sem medo e com a confiança de quem sente o olhar divino pousado sobre si, em sua vida pessoal e em tudo que faz (SR do 19DTC-C).

Esperança: Maria mostra o caminho
O tema da virtude da esperança — luz que ilumina o Ano Santo de 2025 — é também o foco iluminador da proposta celebrativa do SAL para a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. A Liturgia celebra a fé de que ela foi elevada ao céu em corpo e alma. É um sacramento vivo que a promessa de Deus se realiza em Maria (E – Assunção). A espiritualidade, repleta da esperança realizada, cantada no Magnificat, é um grito de esperança ativa, que professa a fé nas promessas divinas mesmo quando tudo contribui para o desespero. A Assunção de Nossa Senhora revela-nos que nosso destino é o céu e que é céu é a nossa esperança de morar eternamente com Deus. Com Maria, a gente aprende que a esperança não decepciona (Rm 5,5), como diz o tema do Ano Santo de 2025. Uma celebração, a da Assunção de Nossa Senhora, para alimentar a esperança dos celebrantes apresentando a eles o destino final: o céu.

Fidelidade: passar pela porta estreita
No penúltimo Domingo de agosto 2025, a virtude da fidelidade. O Evangelho desse Domingo (21DTC-C) desafia os celebrantes a passar pela “porta estreita” (E – 21DTC-C). A mensagem é direta: a Salvação é dom de Deus, mas exige esforço pessoal: “fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita” (E – 21DTC-C). Esforço que se traduz em modo de fidelidade de quem vive com coerência a vida cristã. Ser fiel é viver o Evangelho nas escolhas do dia a dia; em todas as circunstâncias existenciais, especialmente naquelas que existe a necessidade de um empenho maior, o empenho do esforço pessoal de quem deseja passar pela “porta estreita”.

Serviço: quem ama, serve
Para fechar o mês, Jesus conduz os celebrantes até uma festa, na qual é oferecido um grande banquete que destaca o símbolo da mesa. Como bom observador que era, Jesus percebe que muitos dos convidados buscavam os primeiros lugares para aparecer, serem vistos (E do 22DTC-C). Jesus vai na contracorrente da cultura do exibicionismo, tão em alta em nossos dias. Ensina a escolher os últimos lugares, não por falsa humildade, mas pra enxergar melhor quem está à mesa precisando de alguma coisa. Os últimos lugares, na grande mesa da vida, não são ocupados pelos menos importantes, mas pelos servidores, por aqueles que tem uma visão geral da mesa. É desse modo que se cultiva a virtude do serviço e o Mandamento Novo do amor. Quem ama, serve.

Conclusão: um mês pra deixar Deus moldar seu coração
Em agosto de 2025, mês dedicado às vocações, as propostas celebrativas do SAL fazem uma proposta vocacional aos celebrantes: deixar Deus formar em nós um coração parecido com o de Jesus através do cultivo das cinco virtudes – desapego, vigilância, esperança, fidelidade e serviço – presentes nas celebrações dominicais do mês de agosto 2025. O cultivo das virtudes não é peso, é caminho interior que modela a vida e as atitudes a partir de pensamentos e atitudes divinos. Exemplar nisso é Maria, a Mãe de Jesus assunta aos céus. Ela nos inspira a dizer sim e confiar que vale a pena viver com o coração voltado pro Reino, mostrando e lembrando sempre que nosso destino é o céu.

Serginho Valle 
Maio de 2025