Pedagogia do mês de SETEMBRO 2025

01 de Setembro de 2025


PEDAGOGIA LITÚRGICA DAS CELEBRAÇÕES SETEMBRO 2025

A SABEDORIA DA CRUZ E DESAPEGO: 
O CAMINHO DO DISCIPULADO

No mês de setembro 2025, celebra-se três Domingos do Tempo Comum — 23DTC-C, 25DTC-C e 26DTC-C, mais a Festa da Exaltação da Santa Cruz. A luz iluminadora presente nas propostas celebrativas do SAL considera os VALORES DO REINO. No dois primeiros Domingos (23DTC-C e Exaltação da Santa Cruz), a Cruz é proposta como fonte dos valores do Reino e da vida cristã vivida no discipulado. Nos dois últimos Domingos, os valores do Reino são considerados partir do desapego às seguranças propostas pelo mundo, em especial, a relação com o dinheiro (25DTC-C) e a ostentação da riqueza, da parte de quem tem muito dinheiro (26DTC-C).

A sabedoria da Cruz 
Infelizmente, muita gente ainda relaciona o “ser cristão” à frequência da Missa dominical, dar alguma contribuição financeira para a paróquia e repetir orações decoradas na infância. Isso não é vida cristã, é formalismo religioso. A pedagogia mistagógica presente nas celebrações de setembro 2025 colocará os celebrantes diante do modo como vivem a fé e como compreendem a vida cristã. Jesus é bem direto: existe a necessidade do esforço pessoal para mudar o estilo de vida e se comprometer com o projeto do Reino de Deus. Um passo importante, presente na celebração do 23DTC-C (https://www.liturgia.pro.br/site/celebracao/1579 ), é mudar as prioridades do coração. Não dá pra entrar nesse caminho só pela metade; existe a necessidade de deixar de pensar com os pensamentos do mundo e adotar a sabedoria da Cruz para a vida.

É importante entender que a sabedoria da Cruz não se pauta pelo sofrimento, mas pela resiliência de quem se mantém firme diante de todos os desafios que a vida oferece. Outra característica, presente na sabedoria da Cruz, é a entrega radical da vida em forma de serviço a favor da vida humana, como ensina Jesus e como fez Jesus. Tudo isso pede coragem e desapego daquilo que pode desviar do caminho do discipulado, inclusive a o desapegar-se de laços familiares. Tudo isso é refletido com profundidade na proposta celebrativa do SAL, na missa do 23DTC-C. O próprio Jesus reconhece que se trata de uma atividade árdua e exigente, por isso exorta a discernir cuidadosa e profundamente antes de ingressar no discipulado.

Ainda relacionado ao tema da “sabedoria da Cruz”, o mês de setembro 2025 celebra a Festa da Exultação da Santa Cruz (https://www.liturgia.pro.br/site/celebracao/1580 ). A Liturgia desta Festa apresenta a Cruz como realidade teológica e Mistério existencial, que ultrapassa a compreensão intelectual; existe uma outra compreensão, além da intelectual. Em tal situação, a proposta celebrativa do SAL sugere o caminho da contemplação inspirando-se na Palavra da própria Liturgia, que convida a contemplar a Cruz para conseguir a Salvação da vida. A Cruz é um quadro paradoxal, diz a Teologia Patrística, porque ela, sendo instrumento de morte torna-se fonte de onde nasce a vida eterna para a humanidade.

A Cruz é um Sacramento que confunde a lógica humana ao revelar a profundidade do amor misericordioso de Deus na sua forma mais radical. Paulo interpreta a Cruz como movimento de amor: Deus se rebaixa em Cristo para elevar a vida humana a ser digna da vida eterna. Este movimento do rebaixamento divino é conhecido pela Teologia da “kenosis”, que considera o esvaziamento de tudo que se é em favor de quem se ama. Esta é a lógica da sabedoria da Cruz que os celebrantes são convidados a contemplar na Liturgia do 23DTC-C e na Liturgia da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Desapegar-se do dinheiro e da ostentação 
A compreensão da pedagogia mistagógica dos dois últimos Domingos de setembro 2025 tem seu motivo e fonte inspiradora nos dois primeiros Domingos de setembro 2025: a exigência do desapego de tudo (23DTC-C) que culmina na oblação existencial presente na sabedoria da Cruz (Exaltação da Santa Cruz). São duas condições para quem se propõe a caminhar com Jesus na estrada do discipulado. Dois destes desapegos são destacados no 25DTC-C, o dinheiro, e no 26DTC-C, a ostentação. O discípulo valoriza a bem-aventurança do espírito da pobreza (Mt 5,3) e vive na simplicidade das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6,26-27).

A exigência do desapego do dinheiro para o discípulo e discípula de Jesus, proposta na Palavra do 25DTC-C (https://www.liturgia.pro.br/site/celebracao/1581 ) é uma consequência lógica. Em celebrações anteriores, Jesus envia seus discípulos a evangelizar sem levar nada (14DTC-C), depois pedia para vender os bens (19DTC-C); dois exemplos que ilustram que a lógica do discipulado não se sustenta na segurança proposta pelo mundo, simbolizada no dinheiro. É preciso prestar atenção que Jesus não condena quem tem dinheiro, mas cutuca quem só pensa em ter dinheiro. O apego às riquezas cega, aliena e coloca em risco a pessoa que se acha tão poderosa, por ter dinheiro, a ponto de se tornar indiferente a Deus e ao próximo. É o mesmo tema do rico do 18DTC-C que pretendia comprar a duração de sua vida com o dinheiro. O dinheiro é um poder, um senhor; é sobre isso que Jesus alerta quanto a impossibilidade de servir a dois senhores, destacando o risco de o dinheiro dominar a vida em troca da perene inquietação existencial.

A segunda exigência é o desapego da ostentação. O exemplo proposto por Jesus encontra-se na conhecida parábola do “rico guloso e do faminto Lázaro”, narrada no Evangelho do 26DTC-C (https://www.liturgia.pro.br/site/celebracao/1582 ). O discipulado cultiva o serviço fraterno, próprio de quem se coloca a serviço da vida; do cuidado da vida. Jesus se apresenta como modelo de servidor, que veio para servir e que faz do serviço o modo de viver e se relacionar (Mt 10,45). O rico é apresentado como alguém servido em mesas fartas e cego diante da fome humana que está debaixo da sua mesa. A ostentação se veste com roupas vistosas, diz o Evangelho do 26DTC-C, promove a arrogância, o exibicionismo, a vontade de aparecer e se aplaudido; é a ostentação. Quem vive assim não cultiva os valores do Reino e não pode ser discípulo e discípula de Jesus. 

Concluindo... 
Em setembro de 2025, a pedagogia mistagógica conduz os celebrantes a considerar o discipulado a partir dos Valores do Reino. As propostas celebrativas do SAL apresentam a Cruz — nos dois primeiros Domingos — como Sacramento da Salvação, como sabedoria de vida cristã que consiste em entrega da vida por amor a exemplo de Jesus Cristo que fez isso, em modo radical, na Cruz.

Nos outros dois últimos Domingos de setembro 2025, a pedagogia mistagógica proposta pelo SAL convida os celebrantes a se desapegar de dois poderes que impedem assumir o discipulado e cultivar os valores do Reino: o poder do dinheiro e o poder da ostentação da riqueza. A finalidade é clara: seguir Jesus com liberdade interior (desapegado), generosidade concreta marcada pela misericórdia e olhos voltados para a vida do outro, especialmente dos mais vulneráveis.

Serginho Valle 
Junho de 2025