Pedagogia do mês de JANEIRO 2026
01 de Janeiro de 2026
A LUZ PARA ILUMINAR A VIDA HUMANA
Introdução
A Liturgia dos primeiros Domingos de Janeiro 2026 constrói um percurso mistagógico iniciado com a revelação da luz (Epifania), passa pela experiência de reconhecer Jesus caminhando no meio do povo (Batismo), amadurece na resposta oblativa do discipulado (2DTC-A) e culmina no acolhimento do chamado ao discipulado (3DTC-A).
Cada Domingo ilumina um aspecto da vida cristã e revela que seguir Jesus Cristo é um processo de conversão de quem se deixa transformar pela luz divina, acesa no Natal, e continuamente presente em cada página do Evangelho. Luz oferecida a quem acolhe o chamado divino para caminhar na estrada de Jesus (3DTC-A). O caminho do discipulado é, portanto, uma peregrinação interior que une a contemplação da luz presente na estrela guia (Epifania), na capacidade de perceber a bondade divina em favor do povo (Batismo), em transformar a vida em oblação (2DTC-A), que se expressa no seguimento do Mestre através do discipulado (3DTC-A).
Ver a luz e se colocar a caminho
A primeira atitude das celebrações dominicais do novo ano (2026) consiste em acender a luz que conduz ao encontro de Jesus Cristo (Epifania). A palavra LUZ será acesa em todas as celebrações dominicais de Janeiro. É um símbolo cristão forte, que descreve Deus como luz e apresenta o projeto de vida do discipulado de quem vive iluminado pela luz do Evangelho. É assim que o discípulo e discípula de Jesus são identificados pelo próprio Mestre como sal e luz do mundo (Mt 5,13-16). O simbolismo dos Reis Magos (Epifania) é indicativo da vida humana como vida em constante busca da luz divina como peregrino. A vida cristã é vida peregrina, é vida que continuamente convida a sair da estabilidade e se colocar a procura de Deus, a exemplo dos Reis Magos (Epifania).
Ouvir o Filho amado
No contexto mistagógico natalino, depois de se colocar a procura da luz divina (Epifania), o segundo movimento é ouvir. É a passagem do ver para o ouvir. Ouvir a voz de Deus apresentando o Filho amado e ouvir a voz do Filho falando no Evangelho (Batismo) com uma comunicação própria de quem está misturado no meio do povo. Uma mensagem simples, popular, compreendida por todos. O Evangelho É uma luz acesa na simplicidade da pobreza, que brilha na humanidade de Jesus Cristo caminhando e vivendo no meio do povo. É o deslocamento da luz da epifania: da estrela para o meio do povo. O Evangelho não é um espetáculo, é um encontro existencial realizado na simplicidade de quem, a exemplo de João Batista, é capaz de reconhecer o Messias convivendo no meio do povo (Batismo).
Oblação e serviço
Os dois primeiros Domingos de janeiro (2026) concluem o Tempo do Natal, mas não a dinâmica epifânica. O contexto mistagógico das celebrações de janeiro continua sendo epifania — manifestação, apresentação — de Jesus Cristo. No início do Tempo Comum (2DTC-A), a Liturgia apresenta Jesus como o “Cordeiro de Deus”. É a identidade da missão existencial de Jesus: dar a vida em oblação pela salvação do mundo. A oblação define o modo de ser de Jesus e o sentido de sua missão. Ele não retém a própria vida, mas a oferece em favor da salvação de todos. Jesus realiza isso, diz a profecia de Isaías, em atitude de serviço e de iluminador: é o servo-luz das nações (1L do 2DTC-A). Como servo e vivendo como servidor, ele não se impõe, mas oferece sua vida, que alcançará seu momento ápice no altar da Cruz.
Discipulado
A pedagogia mistagógica dos três primeiros Domingos de janeiro (2026) foram epifânicas, apresentando Jesus como a luz do rei que acaba de nascer (Epifania), como o Filho amado do Pai (Batismo) e como Cordeiro de Deus (2DTC-A). Agora, no último Domingo do mês de janeiro, Jesus volta a ser apresentado como luz (1L do 3DTC-A) e como Mestre que passa no meio da sociedade chamando discípulos e discípulas para caminhar com ele (3DTC-A). A Liturgia está dizendo: depois de apresentar a identidade de Jesus — em modo de epifania —, este mesmo Jesus passa entre nós convidando para o seguimento (3DTC-A). A condição para isso acontecer encontra-se no verbo “deixar”: deixar a barca, deixar as redes, deixar a família. É o processo da conversão para caminhar com Jesus acolhendo-o como Mestre da vida.
Conclusão
A pedagogia mistagógica das celebrações de janeiro (2026), da Epifania ao 3DTC-A pode ser sintetizado na frase: a vida cristã, em forma de discipulado, nasce da luz e conduz à oblação. Tornar-se discípulo é permitir que o brilho do Cordeiro ilumine a própria vida, fazendo dela um dom. Na luz manifestada (Epifania), no chamado confirmado (Batismo), na oblação vivida (2DTC-A) e na identidade do discipulado (3DTC-A), o cristão encontra o sentido de sua missão: ser presença iluminada e iluminadora de Deus no mundo. Este, aliás, é o tema que dará continuidade à pedagogia mistagógica do próximo mês (fevereiro) quando falaremos da identidade do discípulo e da discípula do Mestre Jesus Cristo.
Serginho Valle
Novembro de 2025

