Pedagogia do mês de FEVEREIRO 2026
01 de Fevereiro de 2026
Discipulado e Quaresma: um caminho que transforma a vida
Introdução
A experiência cristã é marcada por um dinamismo contínuo de escuta, conversão e amadurecimento. Seguir Jesus não significa apenas aderir a um conjunto de verdades, mas permitir que o Evangelho transforme o modo de pensar, sentir e agir. Nesse horizonte, o Tempo Comum e a Quaresma se apresentam com celebrações privilegiadas em vista da formação interior propondo reordenar prioridades existenciais e conduzir a uma vivência mais autêntica da fé.
O discipulado como processo de amadurecimento espiritual
A vida cristã não é estática. Ela é travessia, processo e amadurecimento. Seguir Jesus significa aprender, dia após dia, a integrar fé e vida, permitindo que o Evangelho reordene prioridades, purifique escolhas e revele um modo novo de existir e de se relacionar na sociedade (4DTC-A – 5DTC-A – 6DTC-A).
Os Domingos do Tempo Comum, celebrados neste início de ano, dizem que o discipulado nasce do encontro e cresce na fidelidade cotidiana ao Evangelho. A Quaresma, que se inicia neste mesmo horizonte litúrgico, surge como tempo favorável para aprofundar essa caminhada, iluminando a vida pessoal e comunitária com os pensamentos e sentimentos do próprio Deus.
O discipulado cristão não se reduz a ideias nem a práticas isoladas. Ele acontece na estrada da vida, no concreto da existência, onde cada momento existencial se torna oportunidade de conversão e crescimento segundo a proposta das bem-aventuranças (4DTC-A). Converter-se não é um evento pontual, mas um movimento contínuo, marcado pela inversão de valores, em relação ao mundo, propostos por Jesus no Sermão da Montanha.
É nesse caminho que o discípulo e a discípula amadurecem espiritualmente. Aprende-se com o Mestre a sabedoria do Reino, que gera liberdade interior, serenidade diante das ameaças e fidelidade diante dos desafios continuadamente propostos pelo mundo. A fé torna-se visível na coerência entre palavras e atitudes, no testemunho fraterno e na missão de ser sal da terra e luz do mundo (5DTC-A).
Viver como discípulo e discípula implica revisar constantemente o modo de acolher o Evangelho. Significa assumir os Mandamentos da Lei de Deus, agora iluminados pelo ensinamento de Jesus, expresso com sua autoridade de Mestre presente na afirmação: “eu, porém, vos digo” (6DTC-A). Jesus não vem para abolir a Lei, mas para aperfeiçoá-la com um sentido novo, humano e profundamente libertador.
A Quaresma como tempo favorável de conversão e renovação
A Quaresma reforça essa dinâmica de conversão. Ela recorda que Deus caminha com o seu povo e o convida, sem cessar, a voltar o coração para Ele (Quarta-feira de Cinzas). Essa conversão ultrapassa gestos externos e exige verdade interior, abertura ao outro e compromisso de caridade com relações mais fraternas.
Jejum, oração e esmola ganham profundidade quando se transformam em atitudes concretas de justiça, sobretudo em favor dos mais vulneráveis. A penitência deixa de ser peso e torna-se processo de restauração, devolvendo clareza ao coração e renovando o vigor espiritual diante das tentações que revelam a fragilidade humana e a necessidade de confiar na Palavra de Deus, principalmente para superar e não cair em tentação; ou nas inúmeras tentações que diariamente nos tentam (1DTQ-A).
À semelhança de Jesus, o itinerário quaresmal conduz à superação das seduções do poder, à reconciliação com Deus e com os irmãos e à construção de relações que expressem o Evangelho no cotidiano da vida social.
Conclusão
Tempo Comum e Quaresma convergem, assim, para um mesmo objetivo: formar um coração capaz de viver iluminado pelo Evangelho, com autenticidade, profundidade e compromisso de vida cristã. O seguimento de Jesus transforma o olhar, educa para a coerência e fortalece a missão de testemunhar o Evangelho como sal da terra e luz do mundo (5DTC-A).
Serginho Valle
Dezembro de 2025

